Casais coreanos passam menos tempo juntos

Kim Ji-Eun (nome fictício) é uma mãe de dois filhos jovens e funcionária pública em Seul, está vivendo longe de seu marido durante os últimos 18 meses. Seu marido, que vive em outra província devido ao trabalho, volta para casa apenas nos finais de semana.
“Quando estávamos morando juntos, poderíamos gastar pelo menos uma hora conversando todas as noites. Agora, só podemos nos falar duas vezes por semana. A maioria das nossas conversas telefônicas não duram nem 30 minutos.”
Kim pertence a um número crescente de casais sul-coreanos que passam menos de 30 minutos por dia falando com seu parceiro(a). De acordo com um relatório divulgado pelo Ministério da Igualdade de Gêneros, na quinta-feira passada, a proporção de casais que conversam menos de 30 minutos por dia aumentou significativamente de 2010 a 2015, de 16,6% para 29,2%. A proporção dos que disseram que nunca falam com o parceiro(a) também aumentou, de 0,9% para 1,7%.

Não acho que eu tenha muitas escolhas.” – disse Kim, quando perguntada sobre a quantidade de tempo que ela gasta conversando com o marido.
“Eu sou a principal responsável pelos meus filhos agora e eu não tenho tanto tempo em minhas mãos. Além disso, principalmente agora que eu crio os filhos sozinha, há menos coisas a discutir com o meu marido.”
O estudo, que entrevistou membros de 5.108 famílias em todo o país no ano passado, mostrou que mais coreanos, independentemente da sua idade, estão gastando menos tempo com seus familiares mais próximos. De 2010 a 2014, a proporção de lares unipessoais, bem como as famílias de renda dupla aumentou significativamente, de 15,8% para 21,3% e de 27,9% para 31,2%, respectivamente. Além disso, a proporção de casais que só se encontram aos finais de semana também aumentou dramaticamente de 1,7% para 5%.

A pesquisa também mostrou que 37% das crianças do ensino fundamental passam um tempo sozinhas depois da escola, enquanto 63,7% das crianças em idade escolar vivem com uma mãe solteira que não tem um zelador para cuidar de seus filhos depois da escola. Isso levanta preocupações sobre a segurança das crianças e a falta de interação entre os membros da família.

O relatório também mostrou que mais coreanos estão insatisfeitos com seus casamentos. Enquanto 6,4% de todos os casais em 2010 disseram que estavam insatisfeitos com sua vida de casados, 11,6% deles disseram o mesmo em 2015.

A proporção dos que disseram que estavam satisfeitos com seus casamentos diminuiu de 56,9% para 51,2% no mesmo período de tempo. Em particular, 31,7% de todos os casais disseram que suprimem seus sentimentos e não tomam quaisquer ações quando eles possuem um problema com seu parceiro(a).

Para resolver o problema, o Ministério da Igualdade de Gêneros anunciou que o governo está para aumentar o número de centros de apoio às famílias de renda dupla e os pais que trabalham, de 6 no ano passado para 82 este ano. Os programas incluem dicas sobre equilíbrio entre o trabalho e a vida, consultas sobre direitos do trabalho, bem como aulas sobre paternidade, casamento e vida familiar.

Descobrimos que os casais que passam mais tempo conversando entre si estão mais felizes com seu casamento” – disse Yoon Hyo-Sik, o diretor-geral do departamento de política familiar do Ministério da Igualdade de Gêneros.

O relatório também mostrou que a maioria dos pais coreanos confiam em seus cônjuges, pais e outros membros da família em caso que de repente precisem de alguém para cuidar de seus filhos, como no caso de uma emergência, quando estão doentes ou de repente foram chamados para o trabalho.

Enquanto 79,8% dos pais disseram que obtêm ajuda de seus familiares ou parentes, 15,5% disseram que não tem absolutamente nenhuma opção de cuidados infantis disponíveis em tais situações. Notavelmente, apenas 0,5% dos pais disseram que usam os serviços de babá fornecidos pelo Ministério da Igualdade de Gêneros.

Temos alocado mais orçamento para o programa de babás neste ano.” – disse Yoon do Ministério. “O orçamento aumentou de 78,7 bilhões para 82,8 bilhões de wons. Acredito que apenas cerca de 50.000 famílias se beneficiaram do serviço no ano passado. Vamos fazer o nosso melhor para alcançar aqueles que estão em necessidades.

Kim Ji-eun disse que é muita sorte de ter seus pais, que concordaram em viver com eles para ajudá-la a cuidar das crianças. Ainda assim, mesmo com a sua ajuda, ela disse que foi extremamente infeliz quando seus dois filhos eram mais novos. Tanto ela e o emprego do marido são necessárias longas horas de trabalho, e isso foi um grande desafío para eles cuidarem de seus filhos, depois de voltar para casa.

Quando solicitados para classificar a qualidade de vida em uma escala de um a cinco – cinco sendo o mais feliz – ela classificou como “1” de “5” para os dias em que seus filhos eram mais novos. “Para a minha vida agora, eu classificaria “4” de “5”. As coisas ficaram melhores quando minhas crianças cresceram.” – disse ela. “Mas quando eram mais jovens, eu era constantemente privada de sono, cansada e me sentia inadequada, tanto no trabalho quanto em casa. Os bebês iriam chorar a noite toda. É difícil falar quando suas próprias necessidades básicas não são satisfeitas.

Fonte: (1)
Tradução: Lázaro Daniel.
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